sábado, 20 de junho de 2015

Trouxe o vento, risos distantes

Trouxe o vento, risos distantes
com os risos paisagens e sons
vieram com o sonho, as núvens
as formas abstratas
do ubre das terra o gozo
da vida o segredos dos anjos
das canções,amantes suicidas
das noites brilhos ocultos e incompreensíveis
nas ruas o cinza sem galhos tortos
no reflexo dos rios desviam as aves nadadoras
e eu, imóvel impávido
retorno à própria imagem
espelhada nas água do canal
atônitos, ao lado
jovens pálidos brindam o paganismo
e a iconoclastia presente nos gestos
ja o canto segue
navega, transborda
e trasmuta



segunda-feira, 4 de maio de 2015

A Lua estende-se ao longo da costa

A Lua estende-se ao longo da costa
quando não mostra seu lado noir o mesmo mar que carrega a lua a noite confronta a coléra humana com sua fúria musíca nossa impossibilidade de abraçá-lo enquanto dissimulamos o competitvo em nós, de admiradores -isso por saber que em suas profundezas cheias de supremacia -assim, como disse Lautremont - segredos os quais julgamos conhecer se restringem a suposições ou consenso de cegos pura retótica pra justificar a inferioridade frente ao mar. O Que nos conforta é a hipnose da lua refletida em suas propriedades em nossos olhos O resto? sentenças pra formar elegias


http://www.recantodasletras.com.br/prosapoetica/5230420




sexta-feira, 24 de abril de 2015

A sonata dos lábios fora concebida quando cessou a cena

O Retorno de Perséfone de Frederic Leighton (1891)


atômos chocaram-se
ao som da batida daqueles lábios 
Com a maciez de um amarone
-transeunte num paladar outrora extraviado.
A sonata dos lábios fora concebida quando cessou a cena
o som ao redor
no ato do abraço
o passo seguinte
pausado
assim como o tempo
suspenso
restou o espaço para a batida das pálpebras
onde se escondiam aqueles olhos flamejantes
durante o sono
olhos que carregavam vulcões e desertos
furor,
e uma cumplicidade com profanos horizontes
Estava evidente o intenso aroma da eternidade
que acabaria minutos depois
mas deixaria na memória
desse encontro
sem contrapartida
a possibilidade d'outro
o tanino e amargo do chocolate
Cada labirinto pela sonata induzido
e a espera do jazer da noite




http://www.recantodasletras.com.br/letras/5218668

quinta-feira, 23 de abril de 2015

rasga as prosas preliminares e o possível é concreto num sonho efêmero



Tímido o gesto atirou-se
contra o corpo adiante
En face
ao fixo e destemido olhar
scaneava a alma a divinhar:
- poeta ? -amante ?
de que mundo viria à criatura ?
Com um furor imaginado
a aposta antecipa o tempo
rasga as prosas preliminares
e o possível é concreto
num sonho efemero
porém
é alcançado o momento seguinte
e o real
é postergado
a espera é o hiato
disfarçado de virtude
enquanto a busca pelo aedo segue incesssante


http://www.recantodasletras.com.br/prosapoetica/5217985

domingo, 5 de abril de 2015

enquanto danço ao sol me suborna um raio




Ao caos canto e saio
mito dançando em círculo postergo o  pranto
feito aedo, o inzoneiro entorno encanto
enquanto danço ao sol, me suborna um raio
Paródia do canto corrompendo o conto
ávido, num salto o riso tomo de assalto





http://www.recantodasletras.com.br/trovas/5195768

terça-feira, 31 de março de 2015

Uma frase para Hendrix




Leasing(leasing )Jimi Hendrix - Third Stone From The Sun


Atire acordes em nossos uvidos e pedras quentes no gelo, dançaremos em rituais paganizados chamando o sol, afirmando a beleza do raio, do porvir em primavera.




segunda-feira, 30 de março de 2015

terça-feira, 24 de março de 2015

escapa ao galho o brilho em seu ensaio





     março traz consigo astro, sacia o raio
     escapa ao galho o brilho em seu ensaio
    quando passa em fresta
    à pele chega em festa
    discreto, cruzou janeiro a frio o parco
    Ávido retornou, brando levando fogo ao riso
    solenemente trouxe um abismo de luz altivo
    e suprimiu do corpo pálido o estio solar num traço





   http://www.recantodasletras.com.br/prosapoetica/5182027

quarta-feira, 18 de março de 2015

Nietzsche (Das Canções do Príncipe Livrepássaro.) No Sul





























"No Sul

Eis-me suspenso a um galho torto
E balançando aqui meu cansaço.
Sou convidado de um passarinho
E aqui repouso, onde está seu ninho.
Mas onde estou? Ai, longe, no espaço.
O mar, tão branco, dormindo absorto,
E ali, purpúrea, vai uma vela.
Penhasco, idílios, torres e cais,
Balir de ovelhas e figueirais.
Sul da inocência, me acolhe nela!
Só a passo e passo
| – é como estar morto,
O pé ante pé faz o alemão pesar.
Mandei o vento levar-me ao alto,
Aprendi com pássaros leveza e salto –
Ao sul voei, por sobre o mar.
Razão! Trabalho pesado e ingrato!
Que vai ao alvo e chega tão cedo!
No voo aprendo o mal que me eiva –
Já sinto ânimo, e sangue e seiva
De nova vida e novo brinquedo...
Quem pensa a sós, de sábio eu trato,
Cantar a sós – já é para os parvos!
Estou cantando em vosso louvor:
Fazei um círculo e, ao meu redor,
Malvados pássaros, vinde sentar-vos!
Jovens, tão falsos, tão inconstantes,
Pareceis feitos bem para amantes
E em passatempos vos entreter...
No norte amei – e confesso a custo –
Uma mulher, velha de dar susto:
“Verdade”, o nome dessa mulher.

Im Süden
So häng’ ich denn auf krummem Aste
Und schaukle meine Müdigkeit.
Ein Vogel lud mich her zu Gaste,
Ein Vogelnest ist’s, drin ich raste.
Wo bin ich doch? Ach, weit! Ach, weit!
Das weisse Meer liegt eingeschlafen,
Und purpurn steht ein Segel drauf.
Fels, Feigenbäume, Thurm und Hafen,
Idylle rings, Geblök von Schafen, —
Unschuld des Südens, nimm mich auf!
Nur Schritt für Schritt
| — das ist kein Leben,
Stets Bein vor Bein macht
| deutsch und schwer.
Ich hiess den Wind mich
| aufwärts heben,
Ich lernte mit den Vögeln schweben, —
Nach Süden flog ich über’s Meer.
Vernunft! Verdriessliches Geschäfte!
Das bringt uns allzubald an’s Ziel!
Im Fliegen lernt’, ich, was mich äffte, —
Schon fühl’ ich Muth und Blut und Säfte
Zu neuem Leben, neuem Spiel…
Einsam zu denken nenn’ ich weise,
Doch einsam singen — wäre dumm!
So hört ein Lied zu eurem Preise
Und setzt euch still um mich im Kreise,
Ihr schlimmen Vögelchen, herum!
So jung, so falsch, so umgetrieben
Scheint ganz ihr mir gemacht zum Lieben
Und jedem schönen Zeitvertreib?
Im Norden — ich gesteh’s mit Zaudern —
Liebt’ ich ein Weibchen,
| alt zum Schaudern:
„Die Wahrheit“ hiess dies alte Weib…"









segunda-feira, 9 de março de 2015

Carta aos Deuses II

Escher


Projetamos os descaminhos em pequenos filmes em poemas 
inconscientemente em sonhos indecifráveis
mas que são desejos profundos cujo tempo os corrói.
E saber disso traz um certo desconforto mesmo que tenhamos auxílios de religiões verdades cinetíficas, ou segurança filosófica. Mas eu Kalik, sou homem de deserto, como dizia Nietzsche, sempre abriguei e ainda abrigo desertos em mim. Minha alma atravessou muitas solidões e é testemunha de empirias abissais, aprendeu a converter todas essas travessias em poesia em pequenos saltos, que pintamos, que cantamos. Eis a vida complexa, e insaciável. Ser apenas o que somos é pouco, queremos sempre dançar sob luares, queremos a divindade.



http://www.recantodasletras.com.br/cartas/5163682