sexta-feira, 6 de março de 2015

Rasgou o céu num verso

Van Gogh Turbulence


























Rasgou o céu um verso
envolto em cores trouxe adorno à trova
intenso, silenciosamente sutil, gritou o incerto
solenemente, murmurou no ouvido do infinito
quando o dia aflorou 
a palavra renovou o gesto e jamais  se desgastou
transcendeu o flúido fruto do belo ardente
floresceu caminhos e esbanjou em rastros
trouxe a chama profunda da embriguez ao acaso
fez transbordar a incoerência da métrica
o lirismo seguiu na trasnversal
buscando uma colisão com o insaciável







http://www.recantodasletras.com.br/prosapoetica/5163671

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Carta aos deuses



Ha sempre beleza na espontaneidade dos encontros, e há mais ainda quando fogo dionisíaco é comum.
 A vida sorri além do automatismo e logo tornamo-nos desobedientes dos regulamentos de deuses deuses avessso à dança, e ortodoxos.
É triste quando a espontaneidade desses encontros se perdem na burocracia dos joguetes ou da moral de recalce.
A poética do gesto que amolece e torna dançante corpos ébrios, livres de sentenças e ultimatos, girando em torno do que lhes apraz,
em torno de um sorriso de uma lua que brilha além de qualquer narcisismo ou hedonismo.
Pois, evocemos os encontros sob luares em rituais tribais fora de toda a domesticação estéril, fora da sensatez burguesa, pois,
afinal este mundo é mundo porque o concebemos como tal, e cabe a nós rasgar o protocolo e fazer da vida um ritornelo,
uma espiral que inspire-nos a viver e ser o ente poético, elan vital e não burocratas dos encontros forçados fatiados e fatigantes.











sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sob a ponte havia um abismo

              
Van Gogh - Langlois-Bridge






















                     
                     




 Sob a ponte havia um abismo
Eu sobe o abismo caminhava, caminho
No caminho os muros, nos muros os medos
nós, nos medos, muros
sobre os muros, abismos
A ponte, palavras oriundas do abismo
As palavras, labirintos, luz
Luz que me cega e me eleva, me leva
Pra sobre o abismo eu passar

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Mortal Loucura

Onqotô: Espetáculo de dança que marca a terceira década do Grupo Corpo
Belíssimo espetáculo de 30 anos do Grupo Corpo, com a linda trilha sonora de Caetano Veloso. 
Como nosso tema, é a poesia, que vai além das palavras e transbrda essa atmosfera e se manifesta em tantas outras formas, mostraremos duas delas, uma é expressão corporal dos dançarinos do Grupo Corpo, e a outra, a perfórmance de Caetano.


Na oração, que desaterra … a terra,
Quer Deus que a quem está o cuidado … dado,
Pregue que a vida é emprestado … estado,
Mistérios mil que desenterra … enterra.
Quem não cuida de si, que é terra, … erra,
Que o alto Rei, por afamado … amado,
É quem lhe assiste ao desvelado … lado,
Da morte ao ar não desaferra, … aferra.
Quem do mundo a mortal loucura … cura,
A vontade de Deus sagrada … agrada
Firmar-lhe a vida em atadura … dura.
O voz zelosa, que dobrada … brada,
Já sei que a flor da formosura, … usura,
Será no fim dessa jornada …
 nada.
Composta por: José Miguel Wisnik / Gregório de Matos




quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Saint Martin feito em guia, o ontológico é esquecido

vaga verme
noite a frio
haja mundo

vaga vaga
o mais velho vaga bundo
Vaga lume
sobre pontes
capta a vento
susta a fonte
no canal
o reflexo é urânio
enriquecido
Saint Martin
feito em guia
o ontológico é esquecido


sábado, 17 de janeiro de 2015

no espelho que carrega este riso irradiante

O Sol invadindo Espaços Entre OS Galhos


O Sol se perde no horizonte
quer o céu tornar-se a via
o passado o futuro adia
com a chegada do presente este dia se faz fonte

Quem não olha adiante nega
o belo raio esbanjante
no espelho que carrega este riso irradiante
reflete e derrete a algria que não prega

Abraçar núvens dissipadas
e contemplar o mar trégua
acalma o raio prometido de uma tarde ensolarada

a dor se soçobra no degelo e nada
nos ventos do acaso

desvia o fado invejtado, para galagar essa jornada







quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

a areia extrapola a ampulheta em excesso

waiting 25 weeks for a sofa = waiting for Gadot


abrirão-se as bocas da noite no domingo
enquanto esperam, as horas pingando em regresso
a areia extrapola a ampulheta em excesso
olhos no escuro a olhar os pilares ruíndo
à busca se lançam o futuro
um nova e esperada notícia[cética] ronda à insônia
o não amíude é ultimato
de um encontro chocado no muro

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

tende o ensejo a virar mote




                                        noite branca note o muro
                                        noutra nota sangra o escuro
                                        transcende o acento o olho ardente
                                        silêncio atado indica um corte
                                        à cena um beijo, perde o norte
                                        tende o ensejo e virar mote







terça-feira, 6 de janeiro de 2015

pretérito pretexto

Grafite perto do Pompidou - Paris
Pobre grito podre texto
pretérito pretexto
pobre desleixo torpe desfecho
dicotômico eixo deste arremeço
deixo o preto enfrente o feito
marco o trecho
desdenhoso desde o feito

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Limiares
























as pequenas vingaças são executadas sutilmente
mas a vida nos ensinou a leveza dos pássaros,
a nadar em núvens cinzas de chuva,
a rir e fazer do deserto intinerário.
A sede de vida é tão grande
ser humano é tão pouco
a sede de divindade nos é insaciável
abraçar o universo é um pequeno entre tantos desejos que nos ronda.
O que seria dos nossos olhos se ao mirar no escombros
nos faltassem palavras e imagens de flores
para poetizar o que é tão feio aos olhos de quem não sabe apreciar um recomeço, ou limiar.